sábado, 19 de setembro de 2015

PRÁTICAS DE CONVIVÊNCIA COM A SECA Barragens subterrâneas levam sustentabilidade ao Semiárido.




O Semiárido brasileiro, que se estende pelo nordeste e norte de Minas Gerais, sofre com a irregularidade das chuvas e a estiagem, período em que a redução na oferta de água prejudica as lavouras e coloca em risco o trabalho de vários meses. 

Para contornar o problema, os agricultores da região estão utilizando uma tecnologia que visa ao melhor aproveitamento da água das chuvas e garante a sustentabilidade da agricultura familiar. São as barragens subterrâneas, paredes construídas embaixo da terra para impedir o escoamento da água e permitir que a terra permaneça úmida para a produção mesmo em períodos de seca.  

A barragem pode ser construída ao longo de leitos de rios ou riachos e em locais por onde escorre o maior volume de água no momento das chuvas, as chamadas linhas d’água. A construção da parede, que pode ser de alvenaria ou lona, é feita numa cavidade aberta até a camada mais endurecida do solo e perpendicular ao sentido da descida das águas. O trabalho de abertura dessa cavidade conta com a participação de toda a comunidade local e pode levar até três semanas para ficar pronta, dependendo das condições do solo. “As barragens são feitas com mão de obra familiar, em que a comunidade faz um mutirão para abrir a parede. É autossustentável”, explica a pesquisadora Maria Sônia Lopes, da Embrapa Solos

                              
A vazante artificial formada pela barragem faz com que o terreno permaneça úmido de três a cinco meses após a época chuvosa, o que permite a plantação de culturas de subsistência, como grãos e hortaliças, e contribui para a redução dos efeitos negativos dos períodos de seca. “A experiência com barragens subterrâneas comprova que ela contribui para a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras, além de diminuir a demanda por produtos externos à propriedade”, diz a pesquisadora. 
                                                                                                                                                                                                               

Segundo Sônia, as primeiras barragens de que se tem notícia no Brasil datam da década de 50, mas a técnica só começou a ser estudada pela Embrapa e por outras instituições do Nordeste a partir de 1982, o que contribuiu para sua difusão e viabilizou formas mais econômicas para a construção.  Atualmente, o programa Uma Terra e Duas Águas(P1+2), desenvolvido pela Articulação para o Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), está sendo implantado em toda a região e conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Codevasf, Fundação Banco do Brasil, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Petrobras e Cooperação Espanhola. O princípio básico do programa é dotar cada família de terra para produzir alimentos de maneira sustentável e “duas águas”, uma para o consumo humano e outra para a produção de alimentos e criação de animais. De acordo com o coordenador do programa, Antônio Gomes Barbosa, aproximadamente mil barragens já foram construídas no semiárido, sendo 700 delas pela ASA. A intenção agora é expandir a tecnologia. “A barragem subterrânea é a melhor forma de estocagem de água que existe. Nossa pretensão é atingir de 5 mil a 6 mil barragens nos próximos quatro anos”, afirma.  Além das barragens, o programa também desenvolve outras tecnologias que visam à sustentabilidade do Semiárido, como a construção de cisternas e de poços. 

Fonte: Emater - Apodi (http://ematerapodi.blogspot.com.br/2011/05/barragens-subterraneas-levam.html



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